sábado, 11 de julho de 2026

 

O papel dos Planos de Cultura na política pública cultural

 

Este texto é uma análise pessoal, construída a partir da minha experiência no campo da cultura e da observação das políticas públicas brasileiras.

Os Planos de Cultura constituem um dos principais instrumentos de planejamento e gestão das políticas culturais no Brasil. Sua criação está diretamente vinculada ao processo de institucionalização da cultura como política pública de Estado, ao longo das últimas duas décadas.

A institucionalização dos Planos de Cultura no Brasil representa uma virada histórica na forma como o Estado reconhece, organiza e promove o direito à cultura. Eles não são apenas instrumentos técnicos: são afirmações políticas de que a cultura deve ser tratada como política de Estado, e não como ação eventual sujeita à vontade de cada governo.

 

1.     Histórico:

A construção dos Planos de Cultura ganha força a partir dos anos 2000, quando o país inicia um movimento de fortalecimento da governança cultural. Nasce de uma disputa política fundamental: a defesa de que a cultura é um direito constitucional e, portanto, exige planejamento, continuidade e participação social.

A partir dos anos 2000, com a reorganização do Ministério da Cultura[1] e a construção do Sistema Nacional de Cultura, o país inicia um processo de democratização da gestão cultural, inaugurando um ciclo de participação social, conferências nacionais e articulação federativa que estabeleceu as bases para o Sistema Nacional de Cultura (SNC). Nesse contexto, surgiu a necessidade de instrumentos permanentes de planejamento, capazes de orientar ações de longo prazo e garantir continuidade entre gestões.  Esse movimento culmina, em 2010, na aprovação do Plano Nacional de Cultura — o primeiro da história — que estabelece metas de longo prazo e inaugura uma nova lógica de política pública.

Entre 2006 e 2009, o governo federal desenvolveu diretrizes, pesquisas e mecanismos de participação que culminaram na elaboração do Plano Nacional de Cultura (PNC). O PNC foi aprovado pela Lei nº 12.343 de 02 de dezembro de 2010, que instituiu o Plano Nacional de Cultura (PNC) e criou o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC). Seu objetivo foi orientar o poder público na formulação de políticas públicas culturais e promover a democratização do acesso à arte e à cultura, tornando-se o primeiro plano nacional da história cultural do país, estabelecendo metas decenais para o desenvolvimento do setor. A partir desse marco, estados e municípios passam a ser estimulados — e, progressivamente, condicionados — a elaborar seus próprios Planos, alinhados às diretrizes nacionais.

No período de 2011 e 2016, o Ministério da Cultura promoveu oficinas, capacitações e acompanhamento técnico, que resultaram na criação dos Planos Municipais e Estaduais de Cultura em todo o território nacional. A partir de 2016, esses Planos passam a ser integrados aos instrumentos de planejamento governamental, como o Plano Plurianual (PPA), fortalecendo sua função estratégica.

Ao fomentar que estados e municípios também construíssem seus Planos, o PNC afirmou um princípio político decisivo: a cultura não pode depender da improvisação, da boa vontade ou da visão individual de um gestor. Ela precisa de planejamento, institucionalidade e compromisso público.

Com a retomada das políticas culturais nacionais a partir de 2023, os Planos locais ganharam nova relevância, especialmente diante da implementação da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e da atualização do PNC. Municípios e estados são incentivados a revisar e modernizar seus Planos, incorporando temas como cultura digital, economia criativa, diversidade cultural, patrimônio, formação e inovação.

2. Importância dos Planos de Cultura para a definição e execução da política pública:

Os Planos são fundamentais para transformar a cultura em política permanente de Estado. Eles organizam prioridades, estabelecem metas, definem estratégias e orientam investimentos, garantindo que a ação pública seja contínua, transparente e alinhada às necessidades da sociedade.

Os Planos são construídos com participação social ampla: conferências, audiências, conselhos, fóruns e escutas públicas.

Esse processo não é apenas técnico — é, sobretudo, político. Ele garante que a política cultural seja formulada com a sociedade, e não apenas para a sociedade.

Ao incorporar a voz dos trabalhadores da cultura, dos fazedores de cultura, dos movimentos culturais, dos povos tradicionais, da juventude, das mulheres e das comunidades periféricas, os Planos tornam-se instrumentos de democratização do Estado. E, materializam um princípio essencial: não existe política cultural legítima sem participação social.

Sua importância se manifesta em diferentes dimensões:

a) Continuidade institucional:

Ao serem aprovados por lei, com duração de 10 anos, os Planos tentam assegurar que as políticas culturais ultrapassem ciclos eleitorais, evitando descontinuidade e improvisação.

A aprovação dos Planos por lei municipal ou estadual é um ato político de grande impacto, que tem como objetivo impedir que a cultura seja desmontada a cada troca de governo, protegendo conquistas históricas e garantindo que metas e diretrizes permaneçam independentemente de disputas eleitorais.

Em outras palavras, o acompanhamento da execução do Plano, através de ações de controle social, é um instrumento de transformação da cultura em política de Estado, blindada contra retrocessos, desmonte institucional e descontinuidade administrativa.

b) Planejamento estratégico:

Os Planos estruturam diagnósticos, objetivos, metas e indicadores, permitindo que a política cultural seja planejada com base em evidências e necessidades reais. Isso fortalece a capacidade de gestão e qualifica a tomada de decisão e as ações do Estado, aqui entendido em suas diferentes esferas administrativas.

c) Participação social:

A elaboração dos Planos deve envolver conferências, audiências e processos participativos, garantindo que a sociedade civil, os agentes culturais, os fazedores de cultura e os Conselhos de Cultura contribuam para a definição das prioridades, ampliando sua legitimidade e transparência, ao mesmo tempo em que possibilitam que os órgãos gestores deixem de atuar de forma reativa e passem a agir de forma estratégica, articulada e orientada por evidências.

Isso significa: mais eficiência na aplicação de recursos, mais coerência entre programas e ações, mais capacidade de enfrentar desigualdades culturais históricas e mais legitimidade na tomada de decisão.

d) Governança e institucionalidade:

Os Planos devem ser elaborados articulando os instrumentos essenciais do Sistema Municipal de Cultura: Conselhos, Fundos, Conferências e Sistemas de Informações. Eles devem organizar a governança cultural e fortalecer a institucionalidade do setor.

e) Captação e gestão de recursos:

Em um cenário de políticas nacionais ativas, como a Política Nacional Aldir Blanc, os municípios e estados com Planos de Cultura atualizados demonstram responsabilidade social, capacidade de planejamento e gestão, condições cada vez mais valorizadas para o fomento federal. O Plano se torna um elemento estratégico para ampliar investimentos e garantir sustentabilidade financeira.

O Plano, portanto, não é apenas um documento: é uma ferramenta de negociação política e financeira.

f) Monitoramento e avaliação:

Com metas e indicadores definidos, os Planos devem permitir o acompanhamento dos resultados, avaliação dos impactos e ajuste de estratégias. Este monitoramento qualifica a execução da política pública e fortalece a prestação de contas à sociedade.

3. Síntese:

Os Planos de Cultura representam um avanço histórico na consolidação da cultura como política pública estruturada no Brasil. Eles organizam o setor cultural, orientam investimentos, fortalecem a participação social e garantem continuidade entre gestões. Mais do que documentos administrativos, são instrumentos estratégicos que asseguram que a cultura seja tratada como direito, como vetor de desenvolvimento e como dimensão essencial da vida social.

Ao integrar cultura com educação, turismo, economia criativa, inovação, patrimônio e diversidade, os Planos afirmam a cultura como dimensão estratégica do desenvolvimento, rompem com a visão de cultura como entretenimento e a colocam no centro das políticas de cidadania, identidade, inclusão. Essa é uma escolha política: reconhecer que a cultura transforma territórios, gera renda, fortalece vínculos comunitários e amplia direitos e qualifica a ação pública contra retrocessos.

 

4. Resumo da Situação do Plano Estadual de Cultura de Santa Catarina:

O Plano Estadual de Cultura de Santa Catarina (PECSC), instituído pela Lei Estadual nº 17.449 de 10 de janeiro de 2018 e completa seu ciclo decenal em 2027. A revisão do Plano é uma necessidade institucional, legal e estratégica, alinhada às diretrizes nacionais e às transformações culturais, sociais, tecnológicas e econômicas que marcaram o período e, sua atualização já é demanda de ponto de pauta do Conselho Estadual de Cultura apresentada pelos representantes da sociedade civil.

Elaborado entre 2011 e 2013, o PECSC precisa ser atualizado, pois o estado passou por mudanças significativas na gestão cultural, no financiamento público, na relação federativa com a União e os municípios e no perfil da produção cultural catarinense. A implementação da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), a retomada do Ministério da Cultura, a elaboração do novo Plano Nacional de Cultura e a expansão da cultura digital, criaram novos cenários que exigem a revisão das metas, diretrizes e ferramentas de governança.

Revisar o Plano Estadual de Cultura significa garantir que a política cultural catarinense permaneça atualizada, eficaz e alinhada às demandas contemporâneas da sociedade. É também um ato político fundamental para assegurar continuidade entre gestões, fortalecer a participação social, ampliar o financiamento, consolidar o Sistema Estadual de Cultura (SIEC) e orientar investimentos estratégicos para os próximos dez anos.

A revisão do Plano reafirma a cultura como política de Estado, assegura coerência com os marcos legais nacionais e estaduais e projeta Santa Catarina para um novo ciclo de desenvolvimento cultural, mais democrático, inclusivo, inovador e territorialmente equilibrado.

Sugestões de alguns pontos que precisam ser revisados, ampliados ou reestruturados no novo ciclo decenal do PECSC:

4.1. Atualização das metas decenais:

As metas construídas no período entre 2011 e 2013 e oficializadas em 2018, foram formuladas para um contexto anterior à PNAB, ao novo PNC e à expansão da cultura digital. É necessário revisar metas não alcançadas, ajustando prazos e estratégias; incorporar metas relacionadas à cultura digital, inovação e economia criativa; incluir indicadores de diversidade, inclusão e territorialização; definir metas específicas para povos indígenas, comunidades tradicionais e culturas periféricas; atualizar metas de formação, circulação e patrimônio conforme novos cenários.

4.2. Integração com a Política Nacional Aldir Blanc:

A PNAB exige planejamento, governança e monitoramento contínuo. O Plano deve: incorporar diretrizes da PNAB; definir metas de uso dos recursos continuados; implantar efetivamente o Fundo Estadual de Cultura às exigências federais; fortalecer mecanismos de participação e controle social

4.3. Alinhamento ao novo Plano Nacional de Cultura (PNC):

A adequação do Plano Estadual de Cultura ao novo PNC (em elaboração), deve: Atualizar/adaptar os eixos estratégicos estaduais conforme os eixos nacionais; incorporar políticas de diversidade, direitos culturais e memória; integrar indicadores nacionais ao sistema estadual; fortalecer a articulação federativa com municípios e instituir um banco de informações sobre a produção cultural de SC.

4.4. Modernização do Sistema Estadual de Cultura (SIEC):

O SIEC, criado pela mesma legislação do Plano Estadual, precisa ser atualizado para refletir: novas estruturas de governança, fortalecimento da Comissão Intergestores Bipartite (CIB Cultura), integração dos sistemas municipais de cultura, criação ou modernização do Sistema Estadual de Informações e Indicadores Culturais, atualização das atribuições e representação do Conselho Estadual de Cultura.

4.5. Cultura digital, inovação e novas linguagens:

O Plano de 2017 não contempla: plataformas digitais de gestão cultural, políticas para produção audiovisual e digital, laboratórios de inovação cultural, formação em tecnologias aplicadas à cultura, preservação digital do patrimônio. Esses temas precisam entrar como eixos ou diretrizes específicas.

4.6. Economia da cultura e economia criativa:

O setor cultural cresceu significativamente no estado, ampliando sua diversidade nos territórios. O Plano deve: definir políticas específicas para economia criativa, criar metas para cadeias produtivas culturais, integrar cultura ao desenvolvimento econômico estadual, definir políticas de empreendedorismo cultural, ampliar linhas de fomento para inovação e produção independente.

4.7. Patrimônio cultural e memória:

No que diz respeito ao setor de patrimônio e memória, é necessário atualizar as políticas de preservação e registro; definir diretrizes para patrimônio imaterial, estratégias de modernização de museus, arquivos e bibliotecas, políticas de educação patrimonial, propor formas de integração entre o turismo cultural e sustentabilidade econômica.

4.8. Territorialização e descentralização:

A atualização do PECSC deve definir as metas para fortalecer as políticas regionais, em especial, as metas específicas para regiões com menor acesso e produção cultural, ampliar circuitos culturais estaduais, fortalecer e ampliar o circuito de equipamentos culturais fora da capital.

4.9. Participação social e governança democrática

A atualização deve contemplar a revisão dos mecanismos de participação; fortalecer conferências e os Conselhos (estaduais e municipais), ampliar processos de escuta e consulta pública, garantir transparência e monitoramento contínuo, implantar o CPF da cultura para que estejam integrados e funcionando sistemicamente.

4.10. Síntese:

A revisão do Plano Estadual de Cultura de Santa Catarina é essencial para atualizar metas, fortalecer o SIEC, integrar políticas nacionais, ampliar o financiamento, modernizar instrumentos de gestão e de representação, responder às transformações culturais e tecnológicas da última década. O novo ciclo decenal deve projetar o estado para uma política cultural mais democrática, inovadora, inclusiva e territorialmente equilibrada.

 

5. Resumo da Situação do Plano Municipal de Cultura de Florianópolis:

O primeiro Plano Municipal de Cultura de Florianópolis foi construído em 2013 e aprovado pela Câmara Municipal da cidade pela Lei Municipal nº 9.845, de 20 de julho de 2015.

Não há registros públicos, consolidados ou facilmente acessíveis sobre a história dos Planos de Cultura de Florianópolis nas bases oficiais consultadas. Os resultados encontrados tratam de mapas históricos da cidade, não de políticas culturais ou planos municipais. Isso significa duas coisas importantes:

ü  Florianópolis não possui documentação histórica do seu Plano Municipal de Cultura publicada em portais oficiais, ou ela não está indexada de forma acessível;

ü  O histórico precisa ser reconstruído a partir do que se sabe sobre a política cultural da cidade, cruzando marcos institucionais, conferências, leis e práticas administrativas.

5.1. Antecedentes: antes da institucionalização (até os anos 2000)

Assim como a maioria das capitais brasileiras, Florianópolis passou décadas com políticas culturais fragmentadas, dependentes de gestões específicas e sem planejamento de longo prazo. A atuação se concentrava em eventos, manutenção de equipamentos e ações pontuais, sem diretrizes permanentes. Esse cenário reflete a ausência de um marco nacional de planejamento cultural — que só surgiria com o Plano Nacional de Cultura (PNC) em 2010.

5.2. Conferências e primeiras bases locais (2003–2010):

Com a reorganização do Ministério da Cultura e a criação do Sistema Nacional de Cultura (SNC), Florianópolis passa a organizar as Conferências Municipais e participar das Conferências Estaduais de Cultura.

Essas Conferências introduzem na cidade a ideia de que a política cultural precisa de: diagnóstico, metas, participação social e continuidade entre gestões.

É nesse período que se formam os primeiros debates sobre a necessidade de um Plano Municipal de Cultura.

5.3. O marco nacional que muda o cenário local:

A aprovação do Plano Nacional de Cultura (Lei 12.343/2010) cria um divisor de águas. A partir dele, municípios são estimulados — e progressivamente pressionados — a elaborar seus próprios Planos. Florianópolis inicia discussões internas sobre a estruturação do Fundo Municipal de Cultura e a necessidade de um Plano Municipal alinhado com o Plano Nacional de Cultura.

5.4. Construção do Plano Municipal de Cultura (2026-2036)

Atualmente, o município está atualizando o Plano Municipal de Cultura para o período de 2026–2036. Sua atualização marca o início de um novo ciclo histórico, no qual o município se alinha ao Marco Regulatório do Sistema Nacional de Cultura[2], ao novo Plano Nacional de Cultura em elaboração (2025–2035,) e às diretrizes da 4ª Conferência Nacional de Cultura[3]. Os trabalhos de atualização estão sendo desenvolvidos segundo os princípios da cultura como direito, como política de Estado e como dimensão estratégica do desenvolvimento humano, social, econômico e ambiental da cidade.  

Este plano deve fomentar a participação ativa da sociedade civil, das setoriais do Conselho Municipal de Política Cultural, dos agentes culturais, das comunidades tradicionais, dos fazedores de cultura, dos trabalhadores da cultura e das instituições públicas. A expectativa é que ele venha a expressar um pacto coletivo para fortalecer a democracia cultural, reduzir desigualdades, descentralizar investimentos, proteger a diversidade e projetar Florianópolis para a próxima década com políticas culturais robustas, integradas e sustentáveis.

5.4.1.            Estrutura:

A atualização do Plano Municipal de Cultura está se fundamentando em três marcos estruturantes:

v Plano Municipal de Cultura de Florianópolis (Lei nº 9.845/2015), documento que inaugurou o planejamento decenal da cultura no município;

v Marco Regulatório do Sistema Nacional de Cultura – SNC (Lei nº 14.835/2024), estabelece diretrizes obrigatórias para planos de cultura em todos os entes federativos;

v Eixos do novo Plano Nacional de Cultura – 2025/2035, organizam prioridades nacionais que devem orientar os planos estaduais e municipais.

 

5.4.2.           Transversalidades:

A 4ª Conferência Nacional de Cultura definiu as transversalidades que estão estruturando os trabalhos de atualização do Plano Municipal de Cultura de Florianópolis. Elas atravessam metas, ações, indicadores e estratégias, com o objetivo de garantir que a política cultural seja integral, democrática e reparatória, considerando as transversalidades como princípios estruturantes do Plano e orientando todos os eixos estratégicos:

v Interseccionalidade: enfrentamento das desigualdades combinadas e promoção da reparação cultural;

v Territorialidade — descentralização e priorização de territórios vulnerabilizados;

v Acessibilidade cultural — garantia de acesso pleno para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida;

v Culturas indígenas e afro-brasileiras — políticas afirmativas, proteção e protagonismo;

v Intergeracionalidade — participação de todas as faixas etárias na criação e transmissão cultural;

v Intersetorialidade — integração da cultura com educação, meio ambiente, turismo, assistência social, saúde e outras políticas públicas.

5.4.3.           Eixos e Diagnósticos Estratégicos:

Oito eixos estratégicos estão compondo os trabalhos do Plano Municipal de Cultura de Florianópolis 2026–2036, identificando desafios e necessidades da cidade:

            Eixo 1 — Gestão e Participação Social

Diagnóstico: Florianópolis possui avanços institucionais importantes, mas ainda enfrenta desafios como:

§  funcionamento desintegrada e parcial do Sistema Municipal de Cultura;

§  financiamento irregular e insuficiente;

§  ausência de indicadores culturais estruturados;

§  necessidade de formação continuada para gestores e conselheiros;

§  participação social forte, mas pouco integrada e reconhecida pelo  processo decisório.

Diretriz Geral: Consolidar o Sistema Municipal de Cultura, fortalecer a governança democrática e garantir financiamento contínuo e transparente.

Eixo 2 — Fomento à Cultura:

             Diagnóstico:  

                O fomento cultural tem se restringido aos recursos federais, com:

§  concentração territorial e setorial;

§  barreiras de acesso para grupos vulnerabilizados;

§  ausência de políticas afirmativas estruturadas;

§  burocracia que dificulta a entrada de pequenos agentes culturais;

§  baixa previsibilidade de editais.

Diretriz Geral: Reduzir desigualdades, descentralizar recursos, simplificar processos, garantir acessibilidade cultural como princípio do fomento e garantir recursos municipais ao Fundo Municipal de Cultura.

Eixo 3 — Patrimônio e Memória

Diagnóstico:

             Florianópolis possui patrimônio material e imaterial expressivo, com:   

§  fragilidade na preservação e salvaguarda;

§  acervos desatualizados;

§  equipamentos com manutenção irregular;

§  baixa participação social na política de memória;

§  ausência de políticas reparatórias e de proteção ampliada.

Diretriz Geral:

Democratizar a política de patrimônio, ampliar salvaguardas e integrar memória, cidadania e diversidade cultural.

Eixo 4 — Formação

Diagnóstico:

A formação cultural é fragmentada e insuficiente:

§  pouca integração entre cultura e educação;

§  ausência de programas permanentes de formação técnica e artística;

§  baixa valorização de mestres, mestras e saberes tradicionais;

§  falta de políticas específicas para juventudes e periferias.

Diretriz Geral:

Universalizar a presença da cultura na educação e criar políticas permanentes de formação cultural em todas as regiões da cidade.

Eixo 5 — Infraestrutura, Equipamentos e Espaços Culturais

           Diagnóstico:

           A infraestrutura cultural enfrenta:

§  concentração de equipamentos no centro;

§  escassez de espaços culturais em territórios periféricos;

§  manutenção irregular dos equipamentos;

§  baixa ocupação comunitária;

§  ausência de planejamento para criação de novos equipamentos.

Diretriz Geral:

Desconcentrar, ampliar, modernizar e democratizar o uso dos espaços culturais, com prioridade para territórios vulnerabilizados.

           Eixo 6 — Economia Criativa, Trabalho, Emprego, Renda e

                              Proteção Social

            Diagnóstico:

Florianópolis tem forte e diversificado potencial criativo, mas:

§  Fazedores de cultura enfrentam informalidade;

§  cadeias produtivas são frágeis;

§  falta política de proteção social;

§  falta política de fomento e de geração de renda;

§  inexistência de calendário municipal de eventos:

§  empreendimentos culturais carecem de apoio técnico e financeiro.

Diretriz Geral:

Fortalecer cadeias produtivas, gerar renda, formalizar trabalhadores e integrar cultura ao desenvolvimento econômico da cidade.

Eixo 7 — Cultura, Bem Viver e Ação Climática

Diagnóstico:

A cidade enfrenta impactos ambientais que afetam diretamente o setor cultural:

§  equipamentos vulneráveis a enchentes e eventos extremos;

§  ausência de protocolos culturais de emergência;

§  pouca integração entre cultura, meio ambiente e comunidades tradicionais.

Diretriz Geral:

Proteger culturas tradicionais, integrar cultura à ação climática e criar estratégias de resiliência para agentes e espaços culturais. Criar mapa de salvaguarda das culturas tradicionais.

         Eixo 8 — Cultura Digital e Direitos Digitais

Diagnóstico:

Apesar de ser polo tecnológico, Florianópolis ainda carece de políticas culturais digitais estruturadas:

§  falta infraestrutura digital nos equipamentos culturais;

§  baixa oferta de formação em linguagens digitais;

§  ausência de políticas de proteção de direitos autorais no ambiente digital;

§  pouca integração entre cultura e inovação.

§  inexistência de plataformas digitais direcionadas ao fomento cultural

Diretriz Geral:

Promover cultura digital democrática, incentivar inovação e garantir direitos autorais e digitais para artistas e criadores.

 

6.            Síntese e expectativas:

O Plano Municipal de Cultura de Florianópolis 2026–2036 tem que ser um compromisso público com a diversidade, a justiça social, a sustentabilidade, o futuro da cidade e o fortalecimento da democracia cultural. Deverá orientar investimentos culturais, organizar prioridades, fortalecer a participação social e garantir a cultura como política estruturante de Estado.

A atualização deste Plano deve contemplar uma Florianópolis onde:

§  a cultura é direito;

§  o território é prioridade;

§  a diversidade é força;

§  a memória é viva;

§  a inovação é democrática;

§  e a participação social seja o centro da decisão pública.

Desta forma, o Plano Municipal de Cultura de Florianópolis será um instrumento de execução de políticas culturais para a construção de uma cidade melhor. Esta é a nossa expectativa e pela qual trabalhamos!

                     Imagem criada por IA, gentilmente gerada e cedida por Paulo Eleotério

 

 Carmen Evangelho

Ilha da Magia 11/07/2026



[1] Em 2003

[2] Lei Federal nº14.835 de 04 de abril de 2024

[3] Realizada em março de 2024, com o tema central "Democracia e Direito à Cultura

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