8 de Março: Feminicídio é crime hediondo!
Fatores que sustentam a violência de
gênero no Brasil!
Mais de 4 décadas depois da ONU ter instituído o Dia
Internacional da Mulher , este “8 de Março” ainda será comemorado com ações
denunciando o feminicídio - forma alarmante de violência contra nós mulheres –
como um dos crimes mais hediondos do país. Não é nem admissível nem suportável
que esta realidade continue a amedrontar milhares de mulheres.
Embora cada caso
tenha sua particularidade, especialistas apontam quatro elementos recorrentes
que ajudam a explicar, mas não justificar, por que tantas mulheres continuam
sendo mortas simplesmente por serem mulheres.
O primeiro fator é a motivação de
gênero. A mulher é vista como propriedade e, por consequência, qualquer
tentativa de autonomia ou iniciativa — terminar um relacionamento, denunciar
agressões, contrariar expectativas — é interpretada como uma afronta. “Como a
mulher ousa desafiar minha autoridade de dono??” Na grande maioria dos crimes, o
agressor age movido por sentimentos de posse, controle ou desprezo. Esta lógica,
profundamente enraizada na cultura machista, transforma conflitos cotidianos em
situações de risco extremo. “Sou o dono, portanto tenho que ser obedecido e
posso castigar quando me aprouver”.
Outro fator determinante é o histórico de
violência que nos últimos tempos se tornou mais acentuado na sociedade
brasileira. Pesquisas mostram que o feminicídio raramente é um ato isolado.
Antes do desfecho fatal, muitas vítimas enfrentam anos de agressões físicas,
ameaças, humilhações e/ou controle psicológico, com medo e receio de denunciar.
A escalada da violência se torna previsível, mas a falta de proteção efetiva faz
com que muitas mulheres permaneçam expostas ao agressor, mesmo após tentarem
buscar ajuda.
A relação desigual de poder também pesa. A maioria dos
feminicídios é cometida por parceiros ou ex-parceiros, o que coloca a vítima em
situação de vulnerabilidade. A dependência financeira/afetiva, medo de
represálias, ausência de rede de apoio, falta de oportunidades de recomeço fora
da relação abusiva e pressões sociais para “manter a família” ou “manter a
relação”, dificultam a ruptura do ciclo de violência. Em muitos casos, a
proximidade com o agressor impede que a mulher consiga se proteger a tempo. Por
fim, o contexto social e institucional é um dos pilares que sustentam o
problema. A naturalização da violência contra mulheres, a culpabilização das
vítimas e a impunidade alimentam um ambiente onde o agressor se sente autorizado
a agir. Falhas na investigação, demora em conceder medidas protetivas e a falta
de políticas públicas consistentes, permanentes e amplamente divulgadas,
reforçam a sensação de que o Estado não consegue proteger essas mulheres. “Não
vale a pena denunciar, não vai dar em nada!”
Dados levantados na imprensa
mostram que 13% das vítimas de feminicídio já tinham medida protetiva ativa
quando foram mortas, revelando falhas graves na fiscalização. 90% das vítimas
não tinham medida protetiva, muitas vezes por vergonha, isolamento ou falta de
acesso ao sistema de proteção, em alguns estados, como Acre e Mato Grosso, 1 em
cada 5 feminicídios ocorre mesmo com proteção judicial vigente.
O enfrentamento
ao feminicídio em nosso país revela que o Brasil avança em marcos legais e
pactos institucionais, mas ainda esbarra em falhas estruturais que comprometem a
proteção das mulheres. A criação recente de políticas como o Pacto Nacional
Brasil contra o Feminicídio e o fortalecimento da Lei Maria da Penha mostram um
esforço de coordenação entre os poderes, porém a eficácia dessas iniciativas é
limitada pela desigualdade territorial, pela lentidão na execução de medidas
protetivas e pela persistente impunidade.
O Pacto Nacional Brasil contra o
Feminicídio prevê medidas protetivas mais rápidas e eficazes, com integração
entre o executivo, o judiciário e o legislativo:
Compartilhamento de
informações entre os Três Poderes para evitar falhas que coloquem mulheres em
risco;
Campanhas permanentes de prevenção e educação para direitos;
Processos mais céleres para punir agressores e reduzir a impunidade;
Foco em
grupos mais vulneráveis, como mulheres negras, indígenas, periféricas e
moradoras de áreas afastadas;
Resposta à violência digital, que muitas vezes
antecede agressões físicas.
Em municípios pequenos, onde a rede de atendimento é
mais frágil, o risco é maior, e mesmo decisões judiciais não garantem segurança
quando não há fiscalização adequada.
Assim, o Estado brasileiro enfrenta o
feminicídio de forma desigual: avança no papel, mas ainda falha em transformar
normas e pactos em proteção concreta, revelando que o problema não é apenas
jurídico, mas profundamente institucional e cultural.
Enfrentar o problema exige
mais do que punir agressores: é preciso transformar estruturas sociais,
fortalecer políticas de proteção e, sobretudo, reconhecer que a violência de
gênero não é um problema privado, mas uma questão urgente de direitos humanos!
Carmen Evangelho
Floripa, 04/03/2026

O declínio do patriarcado, que há 3.000 anos dá aos homens o poder de determinar o papel que as mulheres devem ou não desempenhar, gera ódio e vingança. Estará agora chegando ao auge?
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