quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 

Tirando as máscaras: Qual é a fatura do carnaval???

 

 É carnaval!!! É a grande festa popular! O Brasil apresenta o “maior espetáculo da Terra!”

 O Carnaval brasileiro é muito mais do que uma grande festa popular: ele é uma das expressões mais significativas e importantes da economia criativa, articulando cultura, identidade, pertencimento, inovação e geração de renda em uma escala que poucos setores conseguem alcançar.

Se analisado sob a ótica das políticas culturais, o Carnaval revela um potencial econômico e social capaz de movimentar cadeias produtivas e projetar o Brasil no cenário internacional. Em Florianópolis e Santa Catarina, esse potencial vem se manifestando de maneira clara e crescente.

Os 4 dias de carnaval movimentaram, em 2025, cerca de R$ 14,5 bilhões na economia brasileira[1]. Esse valor representa um crescimento de 2,1% em relação a 2024,[2] tornando-se o Carnaval mais lucrativo desde 2015.


Impacto Econômico do Carnaval - 2025[3]

Brasil / Santa Catarina /Florianópolis

                                     

                                                    Fonte: Brasil: Embratur; Sta Catarina: Os dados oficiais se referem ao impacto estadual. Não há dados oficiais para Florianópolis, principal destino que concentra a maior parte desse valor.


Embora Florianópolis não tenha a dimensão carnavalesca de Rio, Salvador ou Recife, o impacto econômico na cidade é bastante expressivo: a festa movimenta entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões por ano na economia local, com ocupação hoteleira atingindo mais de 90% e um fluxo turístico ultrapassando 150 mil visitantes durante o feriado. Eventos tradicionais, como o Berbigão do Boca, Baiacu de Alguém, o Enterro da Tristeza e o desfile das Escolas de Samba na Passarela Nego Quirido chegam a injetar cerca de R$ 15 milhões na economia da cidade, ativando setores como hospedagem, gastronomia, transporte, comércio e outros serviços.

Berbigão do Boca. Imagem retirada da Internet

Florianópolis é reconhecida como um dos principais polos criativos e tecnológicos do país: a economia criativa representa cerca de 5% do PIB municipal, e os setores criativo e tecnológico juntos empregam mais de 20 mil pessoas.

No contexto estadual, Santa Catarina reforça a mesma dinâmica. O turismo[4] representa 12% do PIB catarinense, com mais de 7 milhões de turistas por ano e movimentação superior a R$ 6 bilhões somente no verão. A economia criativa estadual emprega mais de 100 mil trabalhadores e responde por aproximadamente 3% do PIB de SC, com destaque para moda, design, audiovisual, artesanato e economia digital.

Esses números evidenciam que o Carnaval não é apenas uma festa popular: é uma estrutura econômica importante que ativa cadeias produtivas o ano inteiro[5]. É um sistema integrado que transforma criatividade em trabalho, renda e inovação, trazendo para a festa os elementos culturais característicos seja da cultura local, seja da cultura nacional, exatamente o que define a economia criativa.

Para que esse potencial se realize plenamente, é fundamental que existam políticas culturais consistentes, contínuas e permanentes. Investimentos públicos — como leis de incentivo, editais, fundos setoriais e programas de formação — não são gastos supérfluos, mas sim mecanismos que estruturam a base produtiva da cultura. Estudos nacionais mostram que políticas culturais têm alto efeito multiplicador: cada R$ 1 investido pode gerar entre R$ 3 e R$ 7 em impactos econômico, dependendo do setor.


   Florianópolis, Pça XV. Imagem retirada da Internet
Neste Carnaval, é importante reiterarmos que quando as políticas culturais são tratadas como investimento, e não como despesa, o Carnaval se transforma em um ativo estratégico, fortalece o turismo, impulsiona a economia local, projeta a imagem da cidade e do estado, e gera oportunidades que se estendem muito além do período festivo. Florianópolis e Santa Catarina, ao reconhecerem essa potência, têm a chance de consolidar um modelo de desenvolvimento baseado em criatividade, diversidade, inovação e identidade cultural.

Ao tirar as máscaras que encobrem as análises de investimentos e relacionarmos Carnaval, economia criativa e políticas culturais, cabe reconhecer que a cultura é um dos motores mais potentes do desenvolvimento contemporâneo.

Investir em Políticas Culturais é investir no futuro!!!

 

                                                                                    Ilha da Magia, 17/02/2025



[1] Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

[2] Em 2024, o valor movimentado foi de mais de R$ 9 bilhões de reais

[3] Os dados de Brasil foram retirados da Embratur e os de Sta Catarina

[4] Inclui o Carnaval e outros eventos culturais

[5] São costureiras, aderecistas, músicos, produtores, iluminadores, artesãos, estilistas, motoristas, cozinheiras,profissionais de turismo e centenas de microempreendedores envolvidos.

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