Tirando
as máscaras: Qual é a fatura do carnaval???
É carnaval!!! É a grande festa
popular! O Brasil apresenta o “maior espetáculo da Terra!”
O
Carnaval brasileiro é muito mais do que uma grande festa popular: ele é uma das
expressões mais significativas e importantes da economia criativa, articulando
cultura, identidade, pertencimento, inovação e geração de renda em uma escala
que poucos setores conseguem alcançar.
Se analisado sob a ótica das
políticas culturais, o Carnaval revela um potencial econômico e social capaz de
movimentar cadeias produtivas e projetar o Brasil no cenário internacional. Em
Florianópolis e Santa Catarina, esse potencial vem se manifestando de maneira clara
e crescente.
Os 4 dias de carnaval movimentaram,
em 2025, cerca de R$ 14,5 bilhões na economia brasileira[1].
Esse valor representa um crescimento de 2,1% em relação a 2024,[2]
tornando-se o Carnaval mais lucrativo desde 2015.
Impacto
Econômico do Carnaval - 2025[3]
Brasil /
Santa Catarina /Florianópolis
Fonte: Brasil: Embratur; Sta Catarina: Os dados oficiais se referem ao impacto estadual. Não há dados oficiais para Florianópolis, principal destino que concentra a maior parte desse valor.
Embora Florianópolis não tenha a
dimensão carnavalesca de Rio, Salvador ou Recife, o impacto econômico na cidade
é bastante expressivo: a festa movimenta entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões
por ano na economia local, com ocupação hoteleira atingindo mais de 90% e um fluxo
turístico ultrapassando 150 mil visitantes durante o feriado. Eventos
tradicionais, como o Berbigão do Boca, Baiacu de Alguém, o Enterro da Tristeza
e o desfile das Escolas de Samba na Passarela Nego Quirido chegam a injetar cerca de R$ 15 milhões na
economia da cidade, ativando setores como hospedagem, gastronomia, transporte,
comércio e outros serviços.
Berbigão do Boca. Imagem retirada da Internet
Florianópolis é reconhecida como
um dos principais polos criativos e tecnológicos do país: a economia criativa
representa cerca de 5% do PIB municipal, e os setores criativo e tecnológico
juntos empregam mais de 20 mil pessoas.
No contexto estadual, Santa
Catarina reforça a mesma dinâmica. O turismo[4]
representa 12% do PIB catarinense, com mais de 7 milhões de turistas por ano e
movimentação superior a R$ 6 bilhões somente no verão. A economia criativa
estadual emprega mais de 100 mil trabalhadores e responde por aproximadamente
3% do PIB de SC, com destaque para moda, design, audiovisual, artesanato e
economia digital.
Esses números evidenciam que o
Carnaval não é apenas uma festa popular: é uma estrutura econômica importante que
ativa cadeias produtivas o ano inteiro[5].
É um sistema integrado que transforma criatividade em trabalho, renda e
inovação, trazendo para a festa os elementos culturais característicos seja da
cultura local, seja da cultura nacional, exatamente o que define a economia
criativa.
Para que esse potencial se realize plenamente, é fundamental que existam políticas culturais consistentes, contínuas e permanentes. Investimentos públicos — como leis de incentivo, editais, fundos setoriais e programas de formação — não são gastos supérfluos, mas sim mecanismos que estruturam a base produtiva da cultura. Estudos nacionais mostram que políticas culturais têm alto efeito multiplicador: cada R$ 1 investido pode gerar entre R$ 3 e R$ 7 em impactos econômico, dependendo do setor.
Neste Carnaval, é importante
reiterarmos que quando as políticas culturais são tratadas como investimento, e
não como despesa, o Carnaval se transforma em um ativo estratégico, fortalece o
turismo, impulsiona a economia local, projeta a imagem da cidade e do estado, e
gera oportunidades que se estendem muito além do período festivo. Florianópolis
e Santa Catarina, ao reconhecerem essa potência, têm a chance de consolidar um
modelo de desenvolvimento baseado em criatividade, diversidade, inovação e
identidade cultural.
Florianópolis, Pça XV. Imagem retirada da Internet
Ao tirar as máscaras que encobrem
as análises de investimentos e relacionarmos Carnaval, economia criativa e
políticas culturais, cabe reconhecer que a cultura é um dos motores mais
potentes do desenvolvimento contemporâneo.
Investir em Políticas Culturais é
investir no futuro!!!
Ilha da Magia, 17/02/2025
[1] Dados
da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
[2] Em
2024, o valor movimentado foi de mais de R$ 9 bilhões de reais
[3] Os
dados de Brasil foram retirados da Embratur e os de Sta Catarina
[4] Inclui
o Carnaval e outros eventos culturais
[5] São
costureiras, aderecistas, músicos, produtores, iluminadores, artesãos,
estilistas, motoristas, cozinheiras,profissionais de turismo e centenas de
microempreendedores envolvidos.
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