Dorina[1]:
a voz que guarda o samba e escreve o cotidiano!
Há artistas que se tornam importantes não
apenas pelo que cantam, mas pelo que sustentam. Dorina é uma dessas figuras
raras: uma intérprete que carrega o samba de raiz com a firmeza de quem conhece
o chão que pisa e, ao mesmo tempo, com a delicadeza de quem sabe ouvir as
histórias que o Rio sussurra.
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| Dorina |
Nascida no Rio de Janeiro, Dorina cresceu
cercada pela cultura popular e pela força feminina que sempre atravessou o
samba. Seu primeiro disco, “Eu Canto Samba” (1996), já deixava
claro o caminho que ela escolheria: um repertório que privilegia compositores
fundamentais e uma interpretação que combina vigor, afeto e precisão rítmica.
Ao longo dos anos, ela dedicou álbuns inteiros a nomes como Almir Guineto, Luiz
Carlos da Vila e Aldir Blanc — um gesto de reverência e, ao mesmo tempo, de
preservação da memória musical brasileira.
Ela é daquelas figuras que costuram a cena,
conectam pessoas e mantêm vivas tradições — tanto no palco quanto nos
bastidores.
Em 2020, Dorina ampliou esse gesto de
partilha ao lançar “Contornos”, seu primeiro livro. A obra reúne vinte
textos — entre contos e crônicas — escritos com a mesma sensibilidade que marca
sua trajetória musical. É uma obra bem pessoal, que mistura memória, cotidiano,
sensibilidade suburbana e o olhar de alguém que vive o samba por dentro — sem
ser um livro “sobre samba”. É mais literário, íntimo, reflexivo. Não é um livro
sobre samba, embora o samba esteja ali, nas entrelinhas, no seu modo de olhar o
mundo.
São
textos curtos, com linguagem acessível e afetiva. Temas ligados ao subúrbio
carioca, relações humanas, lembranças e pequenas histórias. Um tom que lembra
muito a Dorina intérprete: direto, sensível e cheio de vida. Histórias do
cotidiano, memórias, afetos, pequenas epifanias que revelam a autora por trás
da intérprete. Contornos mostra que Dorina não apenas canta narrativas:
ela também as escreve, com voz própria, ritmo próprio e uma intimidade que
aproxima o leitor.
Assim, a artista que há décadas empresta
sua voz ao repertório do samba agora também empresta sua escrita ao universo
literário. Um livro gostoso de ler. E o resultado é coerente com tudo o que ela
construiu: uma obra que celebra o detalhe, o gesto simples, a vida comum —
exatamente aquilo que ela sempre alimentou no samba.
Dorina segue sendo uma figura essencial
para quem entende o samba como cultura viva, feita de encontros, histórias e
permanências. Sua música e sua literatura se complementam: ambas nascem do
mesmo lugar de escuta, de respeito e de amor pelo Rio que pulsa em cada verso,
em cada página, em cada roda. E, além de tudo, seu coração também é portelense!
Carmen
Evangelho
Ilha da Magia
02/05/2026
Carmen
Evangelho
Ilha da Magia
02/05/2026



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